O amor é importante. Porra! #1

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato
O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço
O amor comeu meus cartões de visita, o amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome
O amor comeu minhas roupas, meus lenços e minhas camisas,
O amor comeu metros e metros de gravatas
O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus
O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos
O amor comeu minha paz e minha guerra, meu dia e minha noite, meu inverno e meu verão
Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

*p.s.: Obrigado à @so_drunk_ por me lembrar isso logo cedo hoje, e ai que saudades de Cordel do Fogo Encantado viu? Mas é dia de feriado aqui pela cidade… então, aproveitem a sexta-feira tanto quanto estou aproveitando! =)

*Poema do João Cabral de Melo Neto

Carta não-enviada por: Autor anônimo, 30 anos.

Eu não sei se conseguiria chegar nesse nível todo de desapego, mas é lindo mesmo sabe? Acho que me falta maturidade pra entender… mas enfim. Fica ai mais uma carta não-enviada.

Para ler ouvindo: Cordel do Fogo Encantado – Os óim do meu amor

O que dizer quando quem a gente ama suspira outros ares? A idéia, por si só, já me abala, e a certeza de que isso é real me acaba, aniquilando quase todas as minhas palavras. É como um rasgo profundo e longo no meu peito. O golpe é forte.
Meu coração bate, mas de um jeito medroso. Não é por dúvida sobre se continua a amar ou não. É, na verdade, por receio de perder um grande amor. Alguém aí já sentiu esse sentimento de perda? Tenho muito o que perder. Não queria que isso fosse mais uma chuva de verão, que molhou a minha terra árida por uns dias e passou. Tenho muita sede de amar.
Tudo o que queria era viver um sonho impossível.
Fiz tanto pra tocar a Lua. Mas ela flerta com uma estrela. Aqui de baixo, na minha nau, só resta a noite silenciosa e eu, que preciso observar, de longe e silencioso, esse movimento. Acho que vou ficar sem minha Lua. Acho que uma estrela vai raptar minha Lua. Como as noites serão escuras! Temo não ter mais a beleza cintilante do meu tão desejado corpo celeste. É por isso que minhas mãos tremem e minha respiração, outrora ofegante, agora é pesada e difícil.

Eu posso desistir? Não, não quero. E o que fazer diante dessa relação? Não posso muito. Não desejo que fracasse. De náufrago, no oceano da tristeza, basta este aqui. Pode parecer louco, ou muito lógico, mas espero que dê certo. Tenho consciência de minha missão neste mar e dos desafios que apresenta. Mas, em todo caso, não terminarei só. Ficarei em companhia da solidão. Pena que ela não goste de conversar pelo msn ou twitter, nem curta chocolate quente.

Sinto que as palavras acabaram, embora ainda haja muita emoção dentro de mim para derramar aqui. Fica pra outra vez.

Vivo setembro em pleno janeiro.

Ao som das batidas melancólicas do meu coração. Alguém sabe que som a melancolia tem? Basta encostar a cabeça no meu peito e ouvir o ruído do meu coração.

*Foto por I, Word. E wow. Adorei esse olhar nipônico. O título da foto é “You haven’t seen the LAST of me”, bem a calhar não?