Carta não-enviada por: Eu mesmo, 22 anos.

HAHA, dia inteiro em casa, tava dando uma revirada agora nas minhas redes sociais antigas, e esbarrei com esse texto que escrevi e postei no meu fotolog. Pois é. Quem nunca teve um né? Ops. Tá, teve gente que passou pela adolescência incólume sem isso. Mas enfim. Dessa vocês não escapam. Quem nunca teve um daqueles amores arrebatadores, e parece que o seu primeiro encontro com ele é todo mágico, e todo incrível e parece que vai ser a redenção para todos os seus dramas internos? HAHA, pois é.

Também não escapei disso… e foi assim como eu vi o meu “first date” do date que tem dado certo até hoje… Direto do túnel do tempo:

O tempo cessou de existir na praia, no começo da madrugada, a ampulheta cessou de medir as horas, imobilizada pela voz dos poetas, as canções de uma outra época, a lua intemporal e, sobre a grama, eu sempre terei quase 20 anos. E o sorriso que era realmente um sorriso se acende.

Olho minha sombra laranja dançar no calçadão, e ela podia ser a sombra de qualquer um. Mas é minha. E pertence ao mundo dos homens fodidos, tomados pelos paraísos artificiais e pelo pecado venal, apaixonados por todos aqueles que ainda não possuíram, os quais fatalmente acabarão terminarão sozinhos…

Vejo tudo isso. E sinto vontade de mudar.

Todo esse tempo, todos esses rostos, todos essas risadas inconseqüentes, e os meus amigos que me acompanharam até aqui… todos estavam lá. Esses abraços prolongados de manhãzinha, quando não é noite e nem é dia, o seu sorriso se abre então, e seus olhos se descerram, olho pra cima e já amanheceu, Nietsche está morto, e eu agradeço por isso. Eu acredito em Deus, eu acredito no diabo… eu acredito em tudo que já me foi falado.

Sinto frio sem meus sapatos. E não bebo aquela vodka. Queria que velas iluminassem aquela noite. As estrelas dançavam como se dança o yeah yeah yeahs… griséus no lusco-fusco da alvorada que se insinua através dos coqueiros, um cenário engraçado, sempre o mesmo.

 

* A foto lindona, eu vi aqui e é da fotografa Lauren Fleishman de um projeto incrível com fotos de casais de velhinhos, que ela começou após ter encontrado algumas cartas de amor do avôzinho dela(que morreu) para a avó. Ai ai… *suspira*

Carta não-enviada por: Autor anônimo, 29 anos.

Aqui vai a primeira carta não-enviada que eu recebi, gostei muito assim que li sabe? Porque eu sou muito fã desses samba rocks que fazem o cara dançar e cantar as próprias tristezas sem se importar muito. Também amo o carnaval. Mas tudo tem seu fim.

Pra ler ouvindo: Jorge Ben

Ainda penso em nele, e é um inferno isso. Não sei quanto tempo faz, desde a última vez que nos vimos, mas lembro que foi no carnaval. Eu estava lá sozinho naquele bailinho em Ponta Negra, e você passou com seus amigos por lá. Estava bêbado e com outro é claro. Eu ainda me ressentia, e não conseguia seguir adiante. E quando penso nisso, lembro de toda merda que eu fiz, quando traí ele enquanto estavamos tão felizes naqueles samba rocks que não pareciam que iam ter fim.

Sei que ele sempre foi muito forte, mas nenhum de nós dois merecia o que aconteceu depois. Eu o assombrando em todos os lugares que nós iamos, e ele me assombrando por sofrer, mas sofrer nos braços de outros. Eu via tudo.

Parei do lado dele, e peguei na sua mão. Ele segurou minha mão por algo como 5 segundos, olhou pros meus olhos com aqueles olhos que eu nunca sabia realmente de que cor eram, e pediu pra eu parar. Parar com isso. Parar com tudo. Eu ainda tentei perguntar por que, mas ele já havia largado a minha mão, e aquele momento tão precioso de uma época que eu pra sempre lembraria havia terminado. Ele saiu correndo dali. Eu lhe entendo.

Eu também sai correndo de tudo. Até casei pra não pensar mais em você. Mas não deu. Eu não amo ela. E eu penso nele o tempo todo. Me desculpe.

*Foto do Sérgio Luiz, fotógrafo carioca… dêem uma olhada no flickr dele: http://www.flickr.com/photos/selusava

Nova sessão: Don’t Photoshop My Heart

Carnaval tá chegando. E eu não sei vocês, mas como pernambucano autêntico, amo essa época. Amo tudo. Os milhões de rostos diferentes, as fantasias, os bailinhos de rua, os blocos gigantes, a bebedeira, as  pessoas que a gente conhece, os amores que acontecem… e enfim.

Essa é a sessão “original” do blog. Pensei nela antes de tudo sabe? Tipo um lugar onde reunir tudo que a gente quis falar pra tal pessoa, mas não deu por quaisquer motivos. Daí fica aqui o espaço pra desabafar… anonimamente ou não.

Meu sonho é que todo mundo tivesse caixa postal nesse mundo. Eu seria uma dessas pessoas que ligaria pra elas e ficaria conversando sozinho sabe? Enfim. 

Essa sessão é colaborativa, então, ajudem: dontphotoshopmyheart@gmail.com