TAKAI, Fernanda. O que? Vocês não sabiam que ela também escreve?

Bem. Não sei qual a relação de vocês com a banda “Pato Fú”… mas a minha particularmente envolve um certo distanciamento por ter tido más experiências pessoais passadas, como passar a gostar do grupo só porque x pessoinha gostava(hehe, quem nunca foi atrás das coisas que alguém que você gosta, pra gostar também, né?), ir pro show deles que teve aqui na cidade(meio-alcoolizado, devo confessar) e quebrar a cara feioooooo encontrando a pessoa lá estando acompanhada. Mal.

Farnanda Takai

#Fernanda-Takai

De qualquer forma… tinha que deixar registrado aqui essa! Não sabia que a Fernanda Takai, além de fazer musiquinhas cheias de um exacerbado sentimentalismos crus do cotidiano(?), também escreve em prosa… e é colunista com todo seu jeitinho introspectivo em alguns jornais lá em Minas. Esbarrei agora a tarde com esse texto  mega texto do pessoal do blog “A Prancheta” com um trecho de texto da Takai:

“CORAÇÃO DE PAPEL

Sabe aqueles garotos que estão na fase mais desajeitada do mundo, com ossos sobrando por toda parte? Ele era assim. Com a voz nem grossa, nem fina. Cabelos que parecem precisar sempre de um corte – nem lisos, nem anelados. Cotovelão, joelhão. A natureza parece que está fazendo troça dele. Pois foi justamente nessa época que ele se apaixonou pela menina mais bonita da sala.

Ela era uma princesinha. Não tirava notas altas, mas passava sempre de ano, era esforçada e muito simpática. Todo mundo queria ser do seu grupo de estudos. Tinha especial dom para trabalhos manuais, a professora de artes não cansava de elogiá-la. Na época de festa junina, era campeã de bilhetinho de correio elegante.

Numa festa do colégio, o menino mais desajeitado do mundo mandou um coração de papel com uma mensagem para a garota mais popular da sala. O anonimato o encorajava, tanto que ele mesmo entregou o bilhetinho. No dia a dia ele era quase invisível mesmo…

− Pediram pra entregar pra você.
− Quem foi?
− Não posso dizer, prometi que não contava.
− Que lindo!
− Tchau.
− Espera!
− O que foi?
− Você me diz quem mandou esse bilhetinho?
− Tenho que perguntar antes. Daqui a pouco eu volto.

Naquele dia ele não voltou. Algum tempo depois, durante o recreio, ele a procurou de novo, dessa vez com uma carta. Como escrevia bem, caprichou na declaração de amor.

− Tem outra mensagem pra você!
− Você sumiu aquele dia…
− Tive que ir embora.
− Quem é que manda essas coisas lindas?
− Não posso contar.
− Você quer lanchar comigo?
− Agora?
− É, senta aí. Conta mais sobre esse seu amigo secreto que gosta de mim…
− Ah, não sei se devo. Ele ia ficar bravo se eu contasse…

Um período letivo se passou e mais cartinhas misteriosas eram entregues. O menino mais desajeitado da escola passou a ser o melhor amigo da menina mais bonita e simpática. Ele não se continha de felicidade. Os outros não entendiam aquelas conversas constantes no recreio. Ela dando cada vez mais atenção a ele.

Um dia ela lhe entregou uma cartinha-resposta, como de costume.

− Pode abrir e ler.
− De jeito nenhum! Meu amigo ia ficar chateado…
− Leia, por favor!
Ele começou em voz alta: “Querido admirador secreto, acho que não podemos mais continuar à distância. Sei que você teme se mostrar. Mas timidez tem limite. Durante esses meses de mistério, eu me apaixonei por você e por suas palavras, mas também por outra pessoa. Talvez ele nem goste tanto de mim como você diz gostar, mas prefiro arriscar a ficar nessa incerteza. Por favor, pergunte ao seu amigo que me entrega as cartas se ele quer ir ao cinema comigo…”.

O garoto corou. Dobrou a carta lentamente e, ainda sem conseguir olhar para ela, perguntou:

− Você sabia?
− Desde o primeiro dia.
− Que bobo eu fui, né?
− É, mas eu adoro bobões desajeitados que escrevem bem”

Wow. Sentiram? *suspira*
Esse texto faz parte do segundo livro dela, o “A mulher que não queria acreditar”. Fica a dica pra quem quiser comprar! HEHE

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