Carta não-enviada por: Autor anônimo, 21 anos.

Essa carta veio bem a calhar. Fim de verão. Outono batendo, e os corações parando. Vocês também estão com esse sentimento de correr e sentir-se menos vivos? Quantas escolhas você já fez desde o começo do ano que levou um pouco do que você queria estar vivendo? O fimzinho dessa carta terminou me levando à essa questão… enfim. Leiam!

Para ler ouvindo:  Bush – Letting the Cables Sleep

    Sábado à noite, faz uma semana que eu entrei de férias, tenho medo de enfrentar o mundo sem a certeza dos dias que separavam os fins de semana, e tenho me afundo desde então nos caminhos mais abjetos, regados a bebida barata e gente absurda. Tenho sorte de ter uma memória não muito boa, apenas me lembro do começo do sábado… A feirinha, o show, as lágrimas, a quase ida, o surto, a natasha, os 2 amigos e um ônibus.

    Sei que não vou encontrar você sem estar ao lado dele, em 3 anos eu só vi você 6 vezes… agora que vocês namoram eu encontro quase todo dia… e isso realmente não é coisa que se faça. Se eu fosse uma cor… eu seria violeta. Ultra-violeta. Uma cor não visivel aos olhos de todo mundo, e ficar invísivel era exatamente o que eu queria agora.

    Dá última vez que eu vi vocês, nem pestanejaram. Levantaram-se, quase sem se despedir e foram embora. Cada palavra que escapava de mim era um golpe de punhal que perfurava meu coração; quando partiram, eu estava exangue. Para mim, pouco mais de um mês. As pequeninas agressões mesquinhas são como facadas na água. Odeio ele, porque ele é como uma criança que se machucou e que tenta empurrar os amiguinhos no cercado de areia para que eles também se machuquem, e odeio você por ter escolhido ele.

    Eu não vou sair esta noite. Tenho medo da indiferença no olhar deles. Arejo o apartamento, uma lufada de ar fresco expulsa o cheiro de mofo e suor que suja as paredes do meu quarto, mas o negrume das minhas idéias permanece. Ontem eu vi no jornal uma matéria comentando que uma pessoa se mata à cada 30 segundos, minha mãe diz que é falta de Deus… fiquei calado e pensei: “Ah se ela soubesse o que faz-se por amor”.

    Afinal de contas, o que é que me impede de ir confessar tudo para eles? Confessar que é sempre sobre eles que eu escrevo, a razão de eu ter ido embora, de ter falado todas aquelas escrotidões fúteis, sobre um tipo de vida que eles odeiam, na última vez, só porque eu estava infeliz, ciumento, pirado, que cada palavra dita para eles era também pra mim e que eu preciso seguir em frente, mesmo amando, amando… e por amar eu seguiria em frente. Será?

    Eu te amo, isso não é nada, mas é tudo, e eu nunca disse isso para você.

*Foto da Flower By J. Uma galeria encantadora sabe? Tem um quê de “eu já vivi isso” nessas fotos todas que chega a assustar. Confiram o trabalho!

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3 comentários sobre “Carta não-enviada por: Autor anônimo, 21 anos.

  1. “Odeio ele, porque ele é como uma criança que se machucou e que tenta empurrar os amiguinhos no cercado de areia para que eles também se machuquem, e odeio você por ter escolhido ele.”Ninguém quer ir sozinho. Seja para a felicidade ou para o contrário dela. Ninguém – entenda – ninguém quer ir só.

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  2. “Odeio ele, porque ele é como uma criança que se machucou e que tenta empurrar os amiguinhos no cercado de areia para que eles também se machuquem, e odeio você por ter escolhido ele.”Ninguém quer ir sozinho. Seja para a felicidade ou para o contrário dela. Ninguém – entenda – ninguém quer ir só.

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  3. “Odeio ele, porque ele é como uma criança que se machucou e que tenta empurrar os amiguinhos no cercado de areia para que eles também se machuquem, e odeio você por ter escolhido ele.”Ninguém quer ir sozinho. Seja para a felicidade ou para o contrário dela. Ninguém – entenda – ninguém quer ir só.

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