Carta não-enviada por: Autor anônimo, 29 anos.

Aqui vai a primeira carta não-enviada que eu recebi, gostei muito assim que li sabe? Porque eu sou muito fã desses samba rocks que fazem o cara dançar e cantar as próprias tristezas sem se importar muito. Também amo o carnaval. Mas tudo tem seu fim.

Pra ler ouvindo: Jorge Ben

Ainda penso em nele, e é um inferno isso. Não sei quanto tempo faz, desde a última vez que nos vimos, mas lembro que foi no carnaval. Eu estava lá sozinho naquele bailinho em Ponta Negra, e você passou com seus amigos por lá. Estava bêbado e com outro é claro. Eu ainda me ressentia, e não conseguia seguir adiante. E quando penso nisso, lembro de toda merda que eu fiz, quando traí ele enquanto estavamos tão felizes naqueles samba rocks que não pareciam que iam ter fim.

Sei que ele sempre foi muito forte, mas nenhum de nós dois merecia o que aconteceu depois. Eu o assombrando em todos os lugares que nós iamos, e ele me assombrando por sofrer, mas sofrer nos braços de outros. Eu via tudo.

Parei do lado dele, e peguei na sua mão. Ele segurou minha mão por algo como 5 segundos, olhou pros meus olhos com aqueles olhos que eu nunca sabia realmente de que cor eram, e pediu pra eu parar. Parar com isso. Parar com tudo. Eu ainda tentei perguntar por que, mas ele já havia largado a minha mão, e aquele momento tão precioso de uma época que eu pra sempre lembraria havia terminado. Ele saiu correndo dali. Eu lhe entendo.

Eu também sai correndo de tudo. Até casei pra não pensar mais em você. Mas não deu. Eu não amo ela. E eu penso nele o tempo todo. Me desculpe.

*Foto do Sérgio Luiz, fotógrafo carioca… dêem uma olhada no flickr dele: http://www.flickr.com/photos/selusava

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2 comentários sobre “Carta não-enviada por: Autor anônimo, 29 anos.

  1. Cara, não rola. É triste a ideia. Não não, na verdade é achismo mesmo. O passado nos persegue, é inevitável. Não importa se você ta com outra pessoa ou há milhas de distância. É ele quem vai te acordar e te fazer de brinquedo em uma noite fria. Felizmente temos a oportunidade de escolher quem fará parte do nosso passado, todavia, não há regra ou mapa capaz de definir quem trará o arrependimento. Não neste caso ou em nem um outro – eu acho.

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  2. Cara, não rola. É triste a ideia. Não não, na verdade é achismo mesmo. O passado nos persegue, é inevitável. Não importa se você ta com outra pessoa ou há milhas de distância. É ele quem vai te acordar e te fazer de brinquedo em uma noite fria. Felizmente temos a oportunidade de escolher quem fará parte do nosso passado, todavia, não há regra ou mapa capaz de definir quem trará o arrependimento. Não neste caso ou em nem um outro – eu acho.

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