A coerência é o fantasma das mentes pequenas

Sinto-me pequeno. Ultimamente tem sido isso. Esse ciclo de tentativas de justificar tudo que se tem vivido. Tudo. O trabalho, por dinheiro. O amor, pelo aconchego. E os estudos, pelo gosto. Tudo parece coerente. E eu trabalho nesse ciclo mental o tempo todo, com um medo danado de enlouquecer ou esquecer tudo, e ir embora. E digo mais, entendi finalmente o motivo de evitar essa tal da incoerência: pessoa incoerente não tem controle. Porque a verdade é que pessoas coerentes o tempo todo são chatas, mas sabem exatamente onde vão chegar a ponto de Adam Sandler parecer empolgante. Falei dele porque me lembrei de click. Controle. Enfim. Cheguei ao ponto de usar um programa desses que reprogramam nosso cérebro, para passar a ser o dono do meu próprio mundo dos sonhos, que antes pertencia ao meu inconsciente. Não me permito passar 8 horas sobre comando de outrem, não gosto desse drama depressivo que a minha mente gosta de criar para que eu me sinta culpado.

Pessoas que não dramatizam, não agem por ímpeto, não pensam em algo realmente estúpido vez ou outras são o que há de mais tedioso. Eu me protejo no dia-a-dia com esse tédio interno. Tenho medo de que algo irrompa do que tenho aqui dentro, e tudo dê errado. Sabe? Tenho essa coisa aqui dentro querendo o tempo todo fugir, essa coisa que quer gritar na cara das pessoas o quanto sente por não sentir. É coerente isso? 

Quando eu fico nervoso eu falo muito. As pessoas só me conhecem nervoso. Trago essa calma perturbadora e assassina capaz de calcular infinitas possibilidades cruéis em 1s, uma introspecção tão densa quanto perturbadora, a qual parece sugar o ensolarado dos dias para me levar aos lugares mais escuros do ser humano. É incômodo, invasivo e obriga-me o tempo todo a evitar meus próprios pensamentos – e, pior, tentar esconder ele dos outros. 

Um dos meus segredos é esse. Toda essa obscuridade. Falo sério. Sou tão paranóico que quando não estou pensando em nada feliz ou alegre, começo a gritar forte dentro dos meus próprios pensamentos, com medo de que alguém capaz de ler mentes me escute e conte tudo por aí. No resto do tempo, uso fones de ouvidos. Tenho medo de quando minha mente fica silenciosa.

Ao som de: Mombojó – Cabidela

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